sexta-feira, 19 de junho de 2009

Grande!

Me bateu uma tristeza, tristeza leve, tristeza triste. Fazia tempo. Não sei se pelo final da tarde; talvez a escuridão chegando - aquele horário em que nada se vê.

Ensaiei muito pra escrever este aqui. Ia ser uma despedida alegre, bem tranquilinha, bem gostosa de se ler, mas desisti. Desisti muitas vezes e ainda quero desistir agora, mas agora já comecei e não vou mais desistir.

Escolhi um poema, um poema que eu adoro. É ele que me vem à cabeça quando penso em você, em como você viveu e em tudo que deixou para nós que ficamos.

Você foi grande, muito grande mesmo. Enorme. Gigantesca. Brilhou por completo em todos os lagos que iluminou, e olha que foram muitos lagos! Lagos carinhosos, alegres, sorridentes, lagos ansiosos, curiosos. Pequenos lagos, lagos grandalhões e lagoinhas. Lagos diferentes e indiferentes, presunçosos às vezes. Lagoas calmas, lagoas agitadas, grandes lagos desconfiados e lagos maiores ainda, cheios de fé.

Lagos teimosos, nervosos, amorosos. Todos os tipos de lagos.

Você se foi e a saudade ficou. A tristeza vem e vai, mas eu não ligo. As lembranças transbordam minha mente o tempo todo, todo dia, toda hora, como se você me acompanhasse.

E, agora que você está aí em cima, acredito que vá ficar ainda mais fácil brilhar e iluminar todos esses lagos, não é?

Te disse isso várias vezes, olhando em seus olhos, e aproveito agora pra dizer uma vez mais: eu te amo, minha mãe!

Me despeço por aqui.

Tranquilo...

e cheio de saudades...!


“Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.

Assim como em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.”


Ricardo Reis

2 comentários:

Anônimo disse...

...

Amarcord disse...

que lindo, vic. só li agora....
é isso aí!