sexta-feira, 25 de março de 2011

Saudade

Já faz tempo, mas, vira e mexe, ainda dói.

Não é bem uma dor - aquela dor de doer. É mais uma tristeza mesmo. Aquela falta que faz alguém que foi embora e que não vai mais voltar.

Saudade. Simplesmente saudade, no seu estado mais bruto.

Faço trinta daqui a pouquinho, mã, e queria que você soubesse que estou muito bem. Por aqui vai tudo bem, e minha vida tem sido boa demais, de modo que não posso reclamar de nada, de maneira nenhuma!

Sempre estou cercado por pessoas maravilhosas, e essa sorte não tem preço! Algumas delas estiveram comigo só de passagem, mas outras vieram pra ficar, e essas me dão um apoio indescritível. São amigos e amigas pra vida toda. Lembro das tantas vezes em que debatemos essa história de amizade: você dizia que "amigo é dinheiro no bolso" (como o vovô te falava), mas eu insistia que não, e lá íamos nós, argumentando a respeito do assunto, numa conversa que jamais chegaria a lugar algum, mas acabava sempre sendo, no mínimo, interessante. Posso te dizer que, ao menos por equanto, eu estava certo! ;)

Me apaixonei e quebrei a cara duas vezes nesses anos (e olha que eu nunca tinha tomado um pé na bunda antes!), mas agora estou ótimo, pode ficar tranquila! Depois desses inseperados fracassos amorosos, encontrei alguém muito especial, que me faz muito bem e que sabe direitinho como trazer o melhor de mim para a superfície! Tenho certeza que você iria gostar muito dela! Aliás, queria que vocês pudessem se conhecer, mas essa continuará sendo uma de minhas grandes frustrações...

Quanto à parte profissional, sinto-me um pouco estagnado. Confesso que tenho estado bem acomodado quanto a isso, mas é porque resolvi cuidar primeiro de outros aspectos da minha vida, tão importantes quanto a parte profissional. Aí eu incluo as atividades físicas que eu tanto gosto, como o karate (voltei pro karate, mãe! Finalmente!!!), yoga, corrida, natação (sempre penso em você quando nado, pois sei o quanto você queria que nós praticássemos esse esporte!), etc. De qualquer modo, sinto que já está na hora de chacoalhar um pouquinho o meu lado profissional, então fique tranquila, pois não vai demorar muito, não, pra que haja uma mudança!

Ainda tenho que terminar o curso de desenho (pois é! Por incrível que pareça, está difícil arranjar tempo pra ele) e já estou colocando em ordem a minha vida acadêmica, que larguei parada por mais de um ano. Depois do cansaço todo do mestrado, eu precisava dessa parada, mas agora estou descansado e está na hora de botar as mãos na massa novamente.

O que eu mais senti nesses tempos, mamis, foi você não ter ido comigo e com o paps pra Itália. Você teria amado a viagem! "Genial!", você diria pra tudo que vimos por lá, naquela "botinha" maravilhosa. Em cada ruazinha estreita de Roma, em cada beco silencioso carregado de história renascentista de Veneza, em Pompéia - diante do Vesúvio -, no apartamento da Tinoca e a todo momento, eu sempre guardei um pensamento pra você, sabia? Em meu coração, você esteve presente o tempo todo, e foi esse o modo que eu encontrei pra te levar pra passear láááá do outro lado do Atlântico. Espero que você tenha gostado!

Quanto às novidades, o seu ex-aluno, Wladimir, entrou em contato com o Virgílio recentemente. Ele sentiu MUITO mesmo a sua partida, e te elogiou tanto que me fez até repensar sobre a profissão que escolhi: professor.

Como nós marcamos os nossos alunos, não é verdade? Sabia que, toda vez que dou aulas, eu vejo um pouco de você em mim? Quando faço palhaçadas, quando vejo o quanto os alunos me admiram e o quanto gostam de mim, é impossível não pensar em você, pois a "culpa" de tudo isso é sua! Você foi minha maior professora, mamis, porque, acima da língua portuguesa e do amor incondicional, você me ensinou a viver!

Por aqui esteve tocando a música do "As Pontes de Madison", e nós bem sabemos o quanto esse filme é importante pra gente, não é?

Vou ficar por aqui, mas vou anexar a cartinha do seu aluno, pra que você possa lê-la quando quiser (espero que ele não se importe por eu tê-la postado aqui).

Um beijão!

Toco

3 comentários:

Daniel Sundfeld disse...

Bela carta Vitão. Com certeza ela se orgulha e está olhando por todos nós. Muito mais que uma professora, foi uma das maiores incentivadoras da minha vida. A Dona Gema falou tanto que eu tinha talento que acabei acreditando. Genial foi tudo que vivemos e o que ainda está por vir. Só uma errata: graças a Deus, a amizade é pra sempre.

Razzo disse...

Mariano:

"Gema, Gema, Gema...

Hoje, olhando o retrovisor, percebo que você foi a primeira pessoa por quem me apaixonei. Mesmo! Afinal, você foi a primeira pessoa que me admirou a partir do que eu era, não do que propriamente fazia. Na 6ª série você elogiava minha pronúncia do francês! A escrita era péssima, a gramática prá lá de sofrível, mas a pronúncia...! Tantas coisas aconteceram depois que "nos separamos" no longínquo 1977. Sabe, eu me lembro muito bem do meu período escolar até aquele ano. Depois tenho de fazer um certo esforço para recuperar imagens do "depois". Naquele ano eu descobri que gostava muito da língua portuguesa e tentei cultivá-la pois tivera uma mestra no domínio da mesma. E quando você deixou de nos dar aula para se casar, ah que raiva que tive do Wladimir! Eis que você, hoje, não está mais conosco; mas se a vida nos ensina algo é o quanto crescemos por conta do que nos faz falta. Não precisava saber de você, Gema; bastava apenas saber que você existia! Por filosofia, prá mim continuas existindo. Portanto, não estranhe essas linhas escritas como se você estivesse ali, na sua mesa, desfilando um rosário completo sobre que é o vernáculo e como ele se dispõe a dar corpo ao que a imaginação ativa tem apenas em nebulosa criação. Eu, por completo embevecido na carteira, absorvendo.... "uma gosta nos faz filosofar", lembra? Pois é... E você se foi, deixando um coleção de pessoas bem construídas! Em sendo assim você não foi; você "é". Vive em mim, Gema!

Um beijo grande,

Saudades...

Mariano"

Amarcord disse...

Só li hoje, irmao, nao sei por quê; provavelmente porque qdo vc me mandou, eu nao estava em um bom momento. Enfim, hoje veio bem à calhar. Me bateu uma saudade enorme da mãe, daquelas que a gente tem que parar o que está fazendo pra... bem, no meu caso, pra chorar. Enfim, uma saudade de conversar com ela, falar no telefone, jogar papo furado, mas também um pouco de remorso por certas coisas, que te direi um dia. Uma saudade profunda.E aí, nao sei como, vim cair aqui, nao antes de perceber a presença dela em alguns momentos que seguiram a esse estado vulnerável do vazio.Valeu pela carta. Um beijo!