Ontem me senti sozinho, muito só.
Não que isso fosse uma novidade pra mim, pois já moro sozinho há um tempo e nunca tive problemas com isso. Mas é que ontem me bateu aquela solidão, sabe? Lá dentro, no coração.
Eu me senti distante do mundo e distante de todos, como se tudo estivesse ao meu alcance, mas se afastasse assim que eu me aproximasse.
Morar sozinho é tranquilo, bem gostoso. Só tem você em casa, só você faz barulho e, se você está dormindo, então já está todo mundo dormindo. Só que solidão é diferente.
Solidão a gente sente lá dentro e é difícil de escapar. Não adianta se cercar de gente, nem de lembranças e nem de objetos cheios de lembranças. Depois que ela vem, parece que só vai embora quando quer.
A manhã passou, a tarde passou. Extraí o melhor de cada momento - eu garanto. Vivi o presente como deve ser vivido, mas não adiantou. À noite, eu liguei e conversei mais de uma vez, mas continuei só. E mesmo depois, quando o esperado telefonema tocou, a solidão não se foi.
Tentei me ocupar por alguns minutos... uma hora, mas desisti e fui dormir. E pensei num montão de coisas que me fariam completo, que espantariam de vez a solidão. Entre todas elas, uma era irresistivelmente agradável. Mas todas elas iam pra bem longe ao menor sinal de movimento...
Um comentário:
bonito, Vi. Gostei da descriçao de morar sozinho!
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