sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Inspiração

Hoje eu ia dormir cedo, mas ela chegou com tudo e não deu pra resistir. E o quarto estava tão aconchegante, a luz estava tão gostosa, a imaginação indo longe, tão longe que eu já estava entregue antes mesmo de me dar conta.

Com o mate quentinho ao lado, lápis, lapiseira e borracha correram sozinhos pela folha de papel, preenchendo a folha vazia sem vacilar. As mãos pararam somente de vez em quando, para escolher as músicas certas.

Cada detalhe imaginado tornou-se visível e a folha plana ganhou profundidade e movimento. O grafite riscou cinza e depressa, mas soube ser lento e negro quando foi necessário. A borracha consumiu vorazmente os traços mais rebeldes e soube perdoar aqueles que se encaixavam suavemente na imagem. Luz e sombra brincaram, namoraram, brigaram e fizeram as pazes diversas vezes, como tinha de ser.

Enquanto passeei por mundos e sensações deliciosas agarrado à imaginação, cada minuto percorreu calmamente seu caminho, indo de encontro ao passado sem nenhum arrependimento.

E quando o grafite, o papel e a borracha se deram por satisfeitos, celebrei meu retorno ao presente com uma última gota de mate descendo pela garganta.

2 comentários:

Anônimo disse...

Como saber o que nos faz feliz na vida?
Acho que voce respondeu: basta escrever um texto sobre o que fazemos.
Se chegarmos um pouco perto, um pouquissimo perto do que voce conseguiu atingir, entao somos felizes fazendo tal coisa.
E mais uma vez o encontro com o passado.
Ora triste, ora feliz, mas nunca triste no sentido mesquinho da tristeza.
Perfeito.

Amarcord disse...

que bonito, meus irmaos. Dois caras dez, que amo muito!!