(Val e Vir, vai parecer um pouco triste, então só leiam se tiverem certeza de que é a hora, tá?)
Lembro com força de quando tudo aconteceu, tão rápido e imprevisível que pareceu mentira. Cada um desmoronou no seu tempo, do seu jeito, cada um reagiu como pôde e cada um buscou respostas à sua maneira. Mas ninguém as encontrou.
No começo fiquei concentrado nos "e se...?"s da vida, carregando uma possível carga de culpa que aumentou cada vez mais, até eu perceber que não era aí que encontraria as respostas. Então perambulei pelos "por quê?"s, e nesse longínquo caminho me perdi diversas vezes.
Seis meses se passaram e tornamos a desmoronar por diversas vezes mais, ora em conjunto, ora reservados em nossos íntimos. Todos erraram e acertaram, uns mais outros menos e, nessa balança, acredito que errei demais, especialmente após este último final de semana. E é por isso que escrevo hoje.
Após tantos "porquê"s sem respostas, me envolvi num emaranhado de frustrações. Aos poucos, encontrei ainda mais "porquê"s sem respostas e passei a não fazer mais a menor idéia de aonde ir. No desespero, fui parar tão longe do início de tudo que acabei esquecendo por completo o objetivo de todo o nosso esforço.
Não estamos sozinhos nessa, e disso temos certeza. Também sabemos que não há um culpado - nem ela - e também sabemos que quase tudo desmoronou e que tudo está diferente agora. Nossos planos são outros e a felicidade agora jaz em sensações diferentes. Por mais que doa, por mais que as nossas lembranças gritem com todo o vigor, bem à nossa frente, não devemos jamais perder a esperança.
Respondendo à sua pergunta, sim, é algo que está além de nossa compreensão, meu irmão. E infelizmente não há nada realmente milagroso que qualquer um de nós cinco possa fazer e, por mais triste que seja, talvez nada volte a ser como era antes. Mas hoje eu tenho certeza de uma coisa, e isso está tão claro e tão certo que, apesar das lágrimas, estou bem, estou me sentindo leve por dentro, leve na alma.
Hoje vi que a pergunta certa não é o "por quê?", mas sim o "como?". Hoje, deixei em algum lugar que não me lembro o meu peso de culpa e a minha revolta com os "por quê?"s. Hoje percebi que a esperança é valiosa demais pra ser abandonada e que, mesmo não sendo possível reconstruírmos o passado, podemos caprichar o máximo no presente, pois é aí que estamos. E é diante disso que estão as perguntas certas: Como fazer isso da melhor maneira? Como ajudar da melhor forma a contruir esse futuro? Como nos dedicarmos sem remorsos ao presente? Como reagir sem tristeza ao passado? E, é claro, como não perder a esperança?
Essa última resposta eu agora carrego dentro do meu coração, e não quero jamais esquecê-la - e não vou. E é a partir dela que vou procurar todas as outras respostas que nos faltam, e é com alegria e lágrimas que agradeço a vocês, mãe, pai, irmão e irmã, por tudo que me ensinaram nesses tempos tão difíceis.
(Estou bem e espero de coração que vocês entendam que, por mais triste que pareça, este não é um desabafo de tristeza, tá bom?)
2 comentários:
Amo todos vocês...
Muito...
só hoje estou lendo este texto. Nao sei se isso, no fim, foi melhor ou pior, sei que a leitura é outra. O sentimento é outro. Mas o "por quê", em mim, anda mais forte do que nunca. Que pena!
Amo vocês.
Postar um comentário