terça-feira, 4 de novembro de 2008

Perda de Identidade

Quem sou eu? Quem sou eu afinal?
Hoje não sei de mais nada. Perdido e desamparado.

Dói pensar em muita coisa. Sabia bem que somos feitos de lembranças, lembranças que se constroem através de nossas experiências. Sabia também que nossas lembranças é que nos fazem lembrar de nossas experiências. Agora já não sei de mais nada.

Quantas de minhas experiências serão lembradas ou quantas lembranças são mesmo frutos de minhas experiências? E quantas experiências são necessárias pra se construir boas lembranças?

O pôr-do-Sol não bastou pra levar nada embora. Será que faço diferença a alguém? Se já fiz ou mesmo farei alguma diferença? Creio que já fiz, mas será que fiz mesmo? E, se faço, por que não sinto diferença alguma? Ah! Porque não faz diferença! Ao menos não hoje.

Sou capaz de pensar em pelo menos cinco versões de mim mesmo, uma pra cada situação. Atuo tanto que nem sei qual delas se parece mais comigo (com o verdadeiro "migo"): o professor ou o aluno; o homem ou a criança; o verdadeiro ou o fingido. Aquele que ama ou o outro, que odeia? Na verdade, acho que não me pareço com nada disso no momento. E não faz diferença alguma.

Quero uma namorada, mas quero estar solteiro. Na verdade, quero minha mãe, mas sozinho está tão bom. Acho que quero mesmo é um colo. Colinho e abraço, mas agora chega. E um amor eterno, hein? Talvez eu queira mesmo é a presença de meus filhos, mas, como ainda não os tenho, vou ficar querendo.

E não há a menor esperança de que eu me encontre, não hoje. As experiências do dia só fizeram confundir. Me senti inferior em quase tudo, várias vezes com raiva, inclusive.

Tempos difíceis, esses em que o dia está lindo lá fora, mas você tem que terminar a prova do vestibular. Esses em que todos estão brincando lá fora, mas você tem que fazer a lição de casa. Esses em que você tem muito o que fazer, mas acaba não fazendo nada.

"Tudo é tão frágil. Existe tanto conflito... e dor. Todo mundo fica esperando a poeira baixar, mas só depois percebe que a poeira é a nossa vida indo embora. Se a felicidade (aquela coisa absolutamente deliciosa) aparecer, a gente tem mais é que se agarrar nela enquanto pode. Aproveitar o possível, pois, quando ela acaba, fica a inevitável sensação de perda."

Joss Whedon

Um comentário:

Amarcord disse...

Muito bom, Vi. Te aconselho outra leitura maneira: "Um, nenhum, cem mil" , do Pirandello.