quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Destino

Chamam de Destino aquilo que não tem dono, aquilo que não nos deixa escolhas e, mais importante, aquilo que não está sob nosso controle.

Acho que nunca conseguirei explicar com palavras isto que mal se define em sensações, mas eu preciso escrever.

Não é a pergunta que cabe, de jeito algum, mas por que você foi morrer? Por que não vai mais fazer aquele pãozinho na chapa no café-da-manhã? Por que não vai mais me dar boa noite na hora de dormir? Por que não vamos mais à praia juntos? Por que não vai mais discutir sobre filmes comigo? Me dar broncas? Me dar gargalhadas? Me dar conselhos, carinho, ser meu divã nas horas de desespero... Por que não vai me abraçar no dia do meu casamento? Por quê?

Você foi cedo demais e eu fiquei vazio. E o vazio logo se completou com toneladas de sentimentos, dúvidas e pensamentos dentro de mim. E está difícil aguentar. Está difícil acreditar que as coisas são como têm de ser, está difícil aceitar que não temos controle sobre quase nada em nossas vidas.

Não pude dizer adeus da maneira que gostaria (mas quem pode?) e, mesmo que tivesse a oportunidade, eu teria pedido pra você ficar mais um pouquinho, aqui mesmo, com nós quatro.

Vou e volto ao passado - na verdade, mais vou do que volto - tentando encontrar motivos verdadeiros, razões que realmente justifiquem sua partida. Tento encontrar algo que me faça acreditar de verdade que não poderíamos ter feito nada pra te impedir de ir embora, mas não consigo.

Você faz muita falta por aqui, muita mesmo. Tudo que faço carrega sua marca. A maneira como escrevo e como lido com as pessoas. O jeito que dou minhas aulas e a maneira como lavo a louça. Dos gestos mais simples aos sentimentos mais profundos, tudo me lembra você.

Gema, Gemosa, Dona Gema, Gorda, Gezavet, Etmonet... Mamis! Se por hora existe algo capaz de me trazer conforto, pode ter certeza que esse "algo" é ver o quanto de você tenho em mim...!

3 comentários:

Anônimo disse...

"We may be through with the past, but the past ain't through with us!".
Puta saudade. Que merda!

Amarcord disse...

a saudade tá em mim, tá em vc, tá no vir, tá no papai. a saudade que é a dor da falta, da ausência, do desaparecimento. Do nada, sumiu. Mas estranhamente, ficou em todos nós. Que puta saudade, que não deixa a gente parar de pensar Nela nem em um momento. Todo dia tô acordando sentindo cada vez mais saudade. Acho que a ficha tá caindo.

Anônimo disse...

Em pouco tempo de convivência, ela se tornou alguém essencial...
Talvez pelos momentos na sala de aula, pela firmeza das suas opiniões, proferidas entre uma tragada e outra do seu charuto imaginário...
Talvez por ter compartilhado com quem quisesse a bagagem cultural que carregava nas costas...
E, pessoalmente, por ter me tratado como um filho toda vez que eu precisei...

E, como se espera de alguém essencial, a batalha é diária pra não deixar a saudade se transformar em dor... mas eu consigo, porque foi ela uma das pessoas que me ensinaram a batalhar!