No começo eram dois, na maioria das vezes, mas a mesa não parecia completa.
Assim foi por alguns anos, até que, como era de se esperar, acrescentaram mais um prato. Agora a mesa parecia completa com três pratos.
Parecia...
Durante uns dois anos, três foi o número exato. Quando tiveram que acrescentar mais um prato à mesa, resolveram que esse seria o último, que quatro pratos eram o ideal.
Estavam enganados.
Ao final de um ano e meio, a mesa finalmente se completou: cinco pratos.
Cinco pratos à mesa. Um número que virou hábito, um hábito que perdurou por muito, muito tempo. Mais de uma década. Por todos esses anos a mesa se fez completa, acomodando cinco pratos e sendo o centro das reuniões, onde histórias eram contadas, vidas aconteciam e onde o corpo, alma e mente se nutriam.
No entanto, como tinha de ser, veio o dia da mudança. Agora eram quatro pratos durante a semana e cinco nos fins-de-semana.
Ao término de mais um ano, mais um prato se foi - mas somente durante a semana. E então, por esse tempo, a mesa acomodu três pratos durante a semana e cinco nos finais de semana.
Algo com o que se acostumar, como qualquer outra mudança.
Três anos depois chegou a hora de colocar mais um prato a menos na mesa. Como um retorno ao início de tudo, agora dois pratos ocupavam a mesa, mas não a completavam.
Com a passagem de mais um, dois... cinco anos, ficou cada vez mais rara a reunião de cinco pratos à mesa. E nessa época, ter cinco pratos à mesa se tornou motivo de comemoração. Significava alegria, festa.
E assim foi, como deveria ser. Ora tranquilo, ora conturbado, ora alegre, ora triste, ora depressa, ora devagar. Mas nunca demais.
Assim foi e assim será, outrora dois e agora quatro pratos... tantos pratos quanto forem necessários, tantos pratos quanto forem possíveis... tantos pratos quanto o tempo permitir!
3 comentários:
Faz falta demais um desses pratos. Mesmo cheio de comida, intocado, aflitivo e barulhento, faz falta demais.
Que delícia aumentar a quantidade de pratos nessa mesa durante invernos e verões! Casa sempre aberta...pronta para as mesas cheias: "velhos" sala, "jovens" na cozinha...barulho, lasanhas, panetones e big canecas de leite com nescau às tantas da matina...
Vixe, agora é briga! Nããão...é só alguém contando uma piada da família! Quantas fitas de "Anos Incríveis", quantos cd´s do "Angra", quantos dias de patins, mobilete, dinossauros, vídeo-game, karatê e socos na janela vivi com vocês. Sim, muitos anos se passaram. Sim, muito nos distanciamos...mas ainda assim, não se apaga o que vivemos, o tempo inocente e cheio de expectativas que dividimos...não se esquece a anfitriã divina que por muitos verões encheu os quartos de colchões, a sala de crianças, pôs muitos pratos a mais à sua mesa e marcou a minha vida!
Aqui vai meu muito obrigada! Atrasado, sim, mas com muito carinho...aos meus primos queridos, meu tio amado e à nossa "Gezinha"!
Muitos beijos da Paulinha.
Victor, você é um poeta,por isso que falo e repito que você é um fofo, me identifiquei um pouco com seu texto sabia!me recordei da minha família.beijinhos
Lú
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