terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Orgulho

"Dois irmãos passavam a semana inteira sem se ver, mas sempre aproveitavam os finais de semana para andar juntos a pé, matando a saudade e colocando a conversa em dia. Um era mais rápido que o outro, que era mais brincalhão que o primeiro e vivia testando sua paciência.

Quando ficava irritado, o mais rápido apertava o passo, para que o brincalhão, caso quisesse falar com ele, tivesse que entrar na dele e correr também. Dizia "fazer meu jogo". O mais lento, por sua vez, usava de jogos psicológicas sentimentais para que o mais veloz o esperasse - o que sempre funcionava.

Certa vez, após usar essa tática e ver que o mais rápido havia parado para esperá-lo, o mais brincalhão falou: "você sempre faz o meu jogo". Tomado por um sentimento que ainda não sabia o que era, o mais veloz tratou de andar mais rápido, deixando o brincalhão novamente para trás, na tentativa de provar para si e para o outro que ele não "fazia o jogo" de ninguém.

Durante o caminho, no entanto, o mais veloz se deu conta de que, ao andar depressa novamente, ele não aproveitaria o pouco tempo que tinha com o amigo, independente de quem estivesse "fazendo o jogo" de quem. Não havia nada para ser provado e nehum jogo a ser disputado: dentro de si ele percebeu que, se esperasse seu irmão, estaria apenas seguindo o seu coração.

Então ele parou e esperou o mais lento, que também compreendeu que aquilo não era jogar, mas, sim, agir da forma correta.

Ambos se compreenderam no olhar e seguiram em frente, gargalhando e se divertindo como os mais próximos dos irmãos."

"Honra não é orgulho: é consciência do que se tem."

Não é preciso provar que temos honra (como é o caso do orgulho). Apenas temos.

E pensar que, por orgulho, quase coloquei tudo a perder...