Vira e mexe eu cruzo com uma música que me leva lá pra trás...
Nas minhas tantas crises existenciais de "aborrecente", era sempre em cima daquele muro que eu ia parar.
Triste ou pensativo... decidindo sobre os riscos e possibilidades de mais um amor platônico... escolhendo o que prestar no vestibular... esbravejando intimamente sobre as desigualdades do mundo, as injustiças sociais e a crueldade do sistema... discutindo com deus pra ver se ele realmente existia... chorando de raiva ou de amor por minha família e meus amigos... gritando calado sobre tudo que me incomodava, eventualmente uivando aos soluços de um choro incontrolável, mas daqueles que lavam a alma.
E até hoje sinto falta do meu grande companheiro da noite - aquele que ouvia calado, sem entender nada, mas sempre me fazendo companhia até a hora em que eu resolvesse descer de lá.
Era um muro baixo e estreito, facinho de subir e convidativamente confortável (especialmente durante as noites estreladas de verão ou de luar ou de incertezas). Eu, que já era praticamente o "pulador de muros oficial da turma" - se alguma vez alguém tivesse resolvido inventar esse título, é claro! - me sentia completamente à vontade lá em cima, sempre à procura de respostas.
Tema inevitável deste blog, o passado está sempre presente no meu dia-a-dia. E acho engraçado como hoje preciso de tantas cerimônias e rituais pra começar algo que me agrada tanto, como escrever aqui ou desenhar. Parece um "auto-boicote"; uma necessidade incontrolável (e inexplicável?) de não deixar acontecer, de arranjar qualquer dificuldade que me impeça de colocar as ideias e sentimentos no papel (virtual ou não).
É... a verdade é que, no fundo (e na superfície!), eu sinto falta de certas coisas. Várias. E desta vez não há mais nem um muro sequer em que eu possa subir para ficar um pouco mais pertinho do céu e das estrelas. E meus parceirinhos tão queridos estão distantes demais, completamente fora do meu alcance...
...exceto na minha memória.
Um comentário:
Pois é.
Aquele muro era perfeito, tinha até a parte mais larga, que vinha a calhar.
A metáfora vale: ainda estamos procurando nosso muro.
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